Sou eu quem escreve, edita, traduz, estrutura o texto, cria o template, pensa nos detalhes. E isso não se restringe a um blog ou a um livro. Permaneci do modo que sempre conduzi a vida. Discreto. Reservado. Isso não é arrogância. É método. Não apenas assino textos nem delego pensamento. Não há alguém escrevendo por mim nem criando para que ideias apareçam. Cada linha passou pelas minhas mãos, porque, no fim do dia, fui eu quem trabalhou até os dedos doerem e o pensamento perder nitidez.
O lançamento de Dilúculo não ocorreu por limitação de conteúdo. Publiquei no 4shared para que quem acompanha pudesse ler e dar um feedback — o retorno esperado era leitura. O que veio de alguns lados foi ruído. Há uma diferença clara entre crítica e maldade. Algumas falas ultrapassaram essa linha. Ouvir que não sei o que quero porque transito entre música meditativa, produção de trap, medicina e ciência política revela mais sobre quem fala do que sobre o percurso observado. A conclusão apressada surge como sentença: “Por isso não lança um livro, não sabe o que quer”. O absurdo se encerra aí. Limitação nunca foi um eixo possível. Nem no campo profissional. Nem nos interesses pessoais. Nem no modo de aprender.
Arte, comunicação, espiritualidade e conhecimento coexistem sem conflito. A ideia de que quem quer tudo acaba sem nada só funciona quando aplicada ao acúmulo material — no território do conhecimento, ela não se sustenta. Mesmo que um dia a memória falhe, possibilidade comum a qualquer um, existirão acervos. Textos organizados. Registros deixados. Pensamento estruturado. Escrevo para fixar. Para aprender. Se um dia eu chegar a perder o que escrevi — sou paranoico nisso — tenho muitos outros blogs fechados. Backups. Redundâncias. Um botão vermelho preparado para contingências.
Então, a vida segue. Isso é apenas um desabafo. Dilúculo ainda não foi lançado não por entraves editoriais nem por inacabamento. Não existe pressa em finalizar um quadro enquanto o olhar externo ainda atravessa a tinta fresca. O tempo não responde à ansiedade. Há decisões que não se tomam por pressão e nem todas são exclusivas de minha parte. Existe uma Força Maior. Existem etapas que avançam apenas quando autorizadas. Quem critica talvez não opere nesse ritmo. Há um compasso próprio. E, se não houver vendas, isso nunca foi impeditivo. Escrevo sozinho em blogs há anos, brother. Calejado de distorções abjetas. Há textos dos quais nem sei se alguém chegou a ler. Não existem expectativas de milhões. Não existe fantasia de mercado. Existe apenas o desejo de que a obra exista como sempre foi imaginada. Íntegra. Precisa. No tempo certo. Autorizada. Mesmo que isso exija silêncio.
Excluí o link do 4shared — já deu. Existe gente do bem, sim, com quem eu desejo sempre trocar ideia, mas tem gente que só existe pra fazer desserviço. E aos que gostam de desserviço, fiquem ao relento. Sem mais.
Peço minhas sinceras desculpas ao pessoal que não tem nada a ver com essa situação. Não tinha intenção de deixar entender que o livro seria lançado esse ano, até porque pretendo lançar as primeiras versões dele de forma independente. Compartilhei parte do livro porque queria ouvir vocês, mas houveram intrusos — e já foram contidos.