Eu confesso que nunca imaginei que chegaria até aqui. Digo isso sem exagero e sem qualquer tentativa de dramatizar aquilo que, por muitos anos, foi apenas um medo silencioso que eu carregava na sombra da minha própria existência...
Eu confesso que nunca imaginei que chegaria até aqui. Digo isso sem exagero e sem qualquer tentativa de dramatizar aquilo que, por muitos anos, foi apenas um medo silencioso que eu carregava na sombra da minha própria existência. Durante boa parte da minha adolescência, a ideia de chegar aos 22 anos parecia distante demais, improvável demais, quase absurda demais para caber na minha vida. Não era um pensamento que eu repetia em voz alta nem que compartilhava com alguém, porque me parecia íntimo demais, perigoso demais, quase proibido demais para ser exposto ao mundo. Ainda assim, estava lá, ocupando um espaço escondido dentro de mim, como se fosse uma espécie de relógio invertido, contando não o tempo que faltava para algo acontecer, mas o tempo que faltava para deixar de existir.
Mas estou aqui. Vivo. Respirando. Caminhando por dias que têm sido tão corridos que as horas parecem se dissolver umas dentro das outras, como se o tempo tivesse aprendido um novo ritmo que eu ainda não consigo acompanhar. Têm sido dias corridos. Têm sido dias corridos. E repito isso não para preencher um vazio, mas porque sinto a necessidade de reafirmar algo que parece maior que eu mesmo...
Hoje, sinto uma cobrança semelhante, mas com uma diferença essencial: não há mais ninguém apontando para mim dizendo o que devo fazer ou quem devo ser...
Essa mudança sempre me assusta... Às vezes me pergunto se todo mundo sente isso... E, mesmo assim, existe algo novo... Talvez seja por isso que a sensação de sobreviver até os 22 anos me atravesse com tanta intensidade... Nesses últimos meses, tenho percebido o quanto tenho sido empurrado por um ritmo que eu não escolhi... Às vezes penso na criança que eu fui... E essa saudade não é de um tempo específico... E talvez seja isso que me surpreende: o fato de estar aqui... A vida me cobra... Então, aqui estou. Aos 22 sóis. Vivo. Meio confuso. Meio cansado. Meio pressionado. Mas vivo... Eu não sei onde tudo isso vai dar... Aliás, hoje eu sei.
