Tudo se rearranja

Tudo se rearranja

Na alvorada silenciosa sob um céu âmbar,
uma figura solitária caminha, carregando o peso
de escolhas inacabadas e futuros sem nome.
A terra ainda está macia pela chuva da noite passada,
como se o próprio mundo lembrasse
de quando se estendeu do caos à forma
lentamente, dolorosamente, sem aplausos.
Ele avança, sentindo a fratura
entre o que foi e o que tenta se tornar.
A verdade treme nele como uma corda tensa demais para romper:
Quem cresceu mental, física ou espiritualmente
sabe que o crescimento não nasce no conforto.
E assim ele segue, não porque a certeza o chama,
mas porque permanecer imóvel fossilizaria seu fôlego.

Ao redor, a paisagem se rearranja
o tempo se dobra, a memória se enrola, a dúvida espirala como fumaça.
O caminho se curva não para guiar, mas para testar,
sem oferecer promessa além da próxima pedra irregular.
Ainda assim, cada tropeço traça uma cartografia do tornar-se,
cada hematoma um pequeno teorema de existência,
cada passo uma aposta lançada contra a entropia.

Ao anoitecer, sua silhueta se dissolve na luz violeta.
O que buscava permanece sem nome,
mas algo nele se expande
uma quieta ampliação, sutil como a deriva das galáxias.
Ele não reivindica vitória.
Apenas continua a caminhar,
e o mundo, tocado pela audácia,
cede.

NOTA: Versão traduzida do poema original: Everything falls into place.