Carta Aberta aos que dizem saber quem eu sou

Carta Aberta aos que acreditam saber quem eu sou

Só desabafo. Talvez muitos nunca tenham entendido sobre mim e talvez a culpa não seja deles, mas da forma reservada com que escolhi existir. Peço desculpas se minha vida sempre lhes pareceu um território de névoas, quase inacessível. É que eu realmente sou assim. Quando construo amizades, não faço parte do cotidiano de ninguém; não estou no dia-a-dia, no fluxo das rotinas. Mas quem é meu, sabe onde me encontrar. E quando me encontram, sabem que eu me dedico por inteiro. Meu afeto não é diário, mas é sólido. Não é barulhento, mas é fiel.

O que muitos confundem é a distância com desinteresse. Não é. Apenas vivo de forma diferente. Para aqueles que dizem que me conhecem só porque já me viram, já estiveram na mesma sala, no mesmo bairro, no mesmo círculo social, lamento informar: vocês não me conhecem. É superficialidade confundir presença física com intimidade. Talvez por isso tenham surgido tantas indagações ao meu respeito. Porque a maioria espera o óbvio, e eu nunca fui óbvio.

Eu trato bem todas as pessoas, inclusive as que não conheço. É natural para mim. Mas não esperem que eu publique onde estou, o que faço, com quem estou. Não esperem que eu abra portas que escolhi manter fechadas. Gosto do silêncio. Eu preciso do silêncio. Ele me organiza, me preserva e me devolve o eixo quando o mundo tenta me puxar para ruídos que não me pertencem. Quem não entende isso, não entende nada sobre quem eu sou.

E, claro, dentro dessa vida discreta, existem pessoas que realmente não fazem diferença alguma; como se costuma dizer, nem fedem, nem cheiram. Mas há outras que, sinceramente, passam da neutralidade e exalam um cheiro próprio de confusão, intriga, inveja ou má intenção. Dessas, eu carrego um verdadeiro karma para falar. E falem o que quiserem. Falam, questionam, inventam, supõem, distorcem. Que falem. Enquanto isso, eu permaneço na minha quietude, fazendo o que sempre fiz: o meu caminho, o meu trabalho, o meu mundo.

Aos meus amigos — os meus de verdade — quero deixar claro o que vocês já sabem. Minha dedicação não é diária, porque eu não funciono nesse relógio afetivo que muita gente exige. Mas minha precisão é garantida. Se quiser conversar, pode me procurar. Se quiser desabafar, pode me ligar. Se quiser apenas mandar uma mensagem, eu estarei ali. Jamais usaria a desculpa do “não tive tempo”. Tempo é escolha. Ninguém é ocupado 24 horas por dia; as pessoas apenas priorizam o que querem priorizar.

E eu priorizo os meus.

Quando digo “os meus”, falo da minha família, dos meus amigos próximos, das pessoas com quem construí laços verdadeiros, mas também daqueles que, mesmo sem convivência, desperto proteção, apreço e zelo. Porque meu coração funciona assim: silencioso, seletivo, mas inteiro.

Não é falta de presença. É forma de existir.
Não é frieza. É preservação.
Não é distância. É respeito pela própria essência.

E quem realmente me conhece, esses poucos e suficientes, sabem que minha ausência nunca significou descaso, e minha presença nunca foi superficial. Eu não apareço o tempo todo, mas quando apareço, é para valer. Eu não ocupo espaço com frequência, mas ocupo com verdade.

O resto… o resto fala demais porque sente de menos.
E eu sigo, como sempre segui: em paz com o meu silêncio, em lealdade com os meus e em total indiferença com o barulho dos outros.