Tempo de Plantar

Tempo de Plantar — Abraham Cezar
Tempo de Plantar

Hoje à tarde eu terminei de ler mais um livro. Quando fechei o livro, fiquei com uma sensação estranha, como se tivesse acontecido alguma coisa por dentro, mesmo sem eu saber explicar direito. Às vezes parece que, quando a gente lê um livro diferente, a gente muda um pouco sem perceber.

Depois que terminei, o silêncio ficou mais forte. Eu ficava escutando tudo da casa e, ao mesmo tempo, parecia que nada tinha som. Acho que é porque, enquanto eu estava lendo, eu meio que entrei na história e esqueci de mim por alguns minutos. Quando voltei, fiquei me sentindo meio estranho, como se eu tivesse crescido um pouco, mas não sei se é isso que os adultos chamam de crescer ou se é só a cabeça tentando organizar as coisas.

Lembrei de uma frase que já tinha lido dizendo que a solidão é como um espelho. Fiquei pensando nisso enquanto olhava a sala quase vazia. Dava para ouvir só um barulho longe, talvez alguém mexendo nas panelas. A casa estava calma e eu comecei a pensar em coisas que normalmente passam rápido demais no dia a dia.

Fiquei me perguntando por que algumas pessoas não gostam de ficar sozinhas. Talvez seja porque, quando tudo fica quieto, aparecem pensamentos que não vêm quando tem barulho. Talvez o silêncio faça a gente pensar em coisas que não têm resposta fácil. Pode ser que isso assuste algumas pessoas, porque ninguém gosta de descobrir que nem sempre dá para entender tudo.

Também pensei no vazio. Acho que ele assusta porque faz a gente lembrar que nem tudo dura para sempre. No livro tinha uma parte falando sobre isso, e não era com palavras complicadas, mas com uma sinceridade que até incomodou um pouco. Dizia que as coisas têm valor justamente porque acabam. Fiquei repetindo isso na cabeça e, mesmo que eu ainda não saiba muito sobre a vida, a frase fez algum sentido.

Comecei a pensar se eu deveria prestar mais atenção nessas pequenas coisas. Ao mesmo tempo, tenho a impressão de que pensar demais deixa tudo pesado. Talvez exista um meio termo que eu ainda não sei encontrar. Acho que isso é algo que a gente aprende com o tempo.

A tarde foi ficando escura e eu nem quis acender a luz. Parecia que, se eu acendesse, ia interromper meus pensamentos. Fiquei quieto tentando entender o que eu estava sentindo. Não sei exatamente o que é. Talvez seja só a minha cabeça fazendo perguntas que eu ainda não consigo responder. Talvez eu nunca descubra tudo de uma vez. Talvez eu só vá entendendo essas coisas aos poucos, conforme eu crescer.

Talvez o tal vazio seja só um espaço que a gente tem por dentro para guardar pensamentos novos, mesmo que a gente não saiba explicar direito.