Hoje eu terminei de ler A Republica de Platao. A professora pediu so dois capitulos mas eu acabei lendo o livro todo. Nao consegui parar. No comeco parecia dificil cheio de palavras que nao parecem ter lugar dentro da gente. Eu nunca gostei muito de filosofia pra falar a verdade. Sempre achei que era coisa de gente que fala demais pra dizer algo simples. Mas Platao fala simples sobre coisas impossiveis. E isso me prendeu.
No inicio Socrates desce ao Pireu. Essa parte ficou girando na minha cabeca porque ele desce fisicamente mas tambem parece que desce pra dentro de si mesmo. Eu acho que isso e o que o filosofo faz. Ele entra no escuro pra procurar uma luz que ainda nao existe. Talvez seja isso que eu gosto de fazer quando fico acordado a noite pensando.
Platao fala que a justica e cada parte fazendo o que e seu. Depois ele mostra uma cidade chamada Kallipolis onde tudo e dividido em tres partes como se fosse a propria alma. Tem os que pensam os que protegem e os que produzem. Eu tentei imaginar essa cidade na minha cabeca e ela parecia viva como um corpo com tres coracoes batendo juntos.
A parte racional seria como a cabeca. Ela pensa planeja e busca o bem. A parte irascivel seria o coracao. Ela sente coragem raiva e honra. A parte apetitiva seria o ventre. Ela deseja quer e sonha com comida ouro e prazer. Quando todas essas partes trabalham juntas existe justica. Mas quando uma quer mandar nas outras nasce o caos.
Platao diz que isso acontece do mesmo jeito nas cidades. Quando quem deveria obedecer tenta mandar ou quando quem deveria pensar comeca a desejar tudo fica doente. Eu fiquei pensando se o Brasil tambem tem alma. Se tiver talvez nossa injustica nao esteja so nas leis mas dentro da gente. Quando a gente mente engana ou deseja mais do que precisa e como se a parte errada do corpo estivesse governando.
No meio do livro tem o mito do Anel de Giges. Eu achei muito legal. Um homem encontra um anel que o deixa invisivel e passa a fazer tudo o que sempre quis sem medo de ser visto. Platao diz que ninguem seria justo se pudesse fazer o que quisesse sem ser descoberto. Mas sera que isso e verdade. Sera que a justica precisa de plateia. E se alguem fosse justo mesmo invisivel nao seria a pessoa mais livre de todas.
Depois vem a Nobre Mentira que me deixou confuso. Como um filosofo que busca a verdade pode achar que a cidade precisa de uma mentira. Mas e uma mentira que serve pra unir pra fazer o povo acreditar que todos sao irmaos filhos da mesma terra com metais diferentes na alma. Ouro prata e bronze. Eu fiquei imaginando se minha alma seria de ouro ou de ferro. Ou se o que faz o ouro nao e o jeito que a gente pensa e nao o jeito que a gente nasce.
A parte da Alegoria da Caverna foi a que mais me mexeu. Platao fala que as pessoas vivem presas num lugar escuro olhando sombras na parede e achando que aquilo e o mundo. Um dos prisioneiros sai e ve a luz do sol. Mas quando ele volta pra contar aos outros ninguem acredita. Alguns ate querem mata lo. Eu me perguntei se nos criancas tambem estamos dentro da caverna acreditando no que nos dizem sem ver o que existe la fora. Sera que crescer e sair da caverna. Ou sera que o sol e aquela sensacao que a gente sente quando entende algo tao fundo que parece acender o peito.
Platao diz que o verdadeiro governante deve ser um filosofo alguem que conhece o Bem. Mas eu acho que nao basta conhecer tem que sentir. So quem sente a dor do outro consegue decidir o que e justo de verdade. A razao ajuda a pensar mas o coracao e o unico que entende o sofrimento.
Eu achei curioso quando ele mostra que cada tipo de governo parece uma alma doente. A cidade perfeita vira uma timocracia depois uma oligarquia depois uma democracia e por fim uma tirania. Parece que o tempo anda em circulo levando o homem da ordem para o caos. A democracia parece bonita mas Platao diz que ela se perde na propria liberdade. Quando tudo vira permitido nasce o tirano. Eu fiquei com medo disso porque isso tambem acontece dentro da gente. Quando a gente deixa os desejos mandarem demais vira escravo deles.
No fim tem o Mito de Er que fala das almas depois da morte. Elas escolhem novas vidas. As justas sobem as injustas descem. Mas o mais importante e que a escolha e livre. A responsabilidade e de quem escolhe o deus e inocente. Essa frase ficou ecoando em mim. Talvez a justica nao venha de fora mas de dentro como uma semente.
Eu fechei o livro com uma sensacao estranha como se tivesse entendido e nao entendido ao mesmo tempo. Platao me parece alguem que nao escreveu pra ensinar mas pra acordar algo que ja dormia na gente. Talvez filosofia seja isso. Acordar devagar um pouco de cada vez ate o dia em que a gente veja o sol de verdade. Nao o que brilha la fora mas o que acende por dentro.
No fundo eu acho que Platao queria mostrar que a cidade justa comeca quando cada pessoa decide ser justa consigo mesma. Se isso for verdade entao o governo do mundo e a alma de cada um.