Insubmissão Silenciosa

Insubmissão Silenciosa

Tu te tornaste perigoso
no dia em que compreendeste
que não precisas ser entendido,
aceito ou validado.

A aprovação alheia perdeu o peso
quando viste o preço que ela cobra:
a tua autenticidade.

Foi ali — naquele exato instante —
que rompeste o laço invisível
que te mantinha preso
ao olhar dos outros.

E o silêncio que veio depois
não era vazio.
Era soberania.

Quem tenta te corrigir
não enfrenta teus erros,
enfrenta a tua liberdade.
E o que os fere
é a própria ausência dela.

Eles querem domesticar
aquilo que jamais ousaram ser.
Apontam teu jeito,
teu ritmo,
tuas escolhas,
porque cada parte de ti
que não se dobra
lhes recorda
o quanto já se curvaram.

Isso incomoda
mais do que qualquer falha.

Tu és livre
não porque fazes o que queres,
mas porque já não precisas
que ninguém concorde
com o que tu és.