Havia, no princípio, um sopro que parecia nascer do centro escuro das coisas, um pulso que se movia em direção ao futuro e, ao mesmo tempo, se recolhia para dentro de si. Era um ritmo quase secreto, como se o universo meditasse antes de pronunciar cada gesto. O fluxo avançava, mas nunca sem antes tocar as próprias margens, como quem se certifica de que não fará ruir o delicado tecido que o sustenta. E nesse ir e vir que não se apressa, uma música se formava, uma partitura invisível onde cada nota se equilibrava no instante exato em que poderia cair.
A cada expansão, uma contração respondia com carinho silencioso. A cada tentativa de ruptura, um brilho nascente reorganizava o caos para que não se rompesse o fio que conecta o todo. Era como se a matéria soubesse que o excesso destrói e o vazio consome, e então dançasse no espaço estreito onde ambos podem coexistir sem devorar o mundo. As forças se tocavam como espelhos, refletindo-se para lembrar que nenhuma delas tinha poder se não cedesse um pouco do próprio contorno.
Nada ali caminhava em linha reta. Tudo preferia uma espiral luminosa, o tipo de curva que aprende consigo mesma enquanto gira, que revisita o ponto anterior para arrancar dele um sabor novo. Era assim que o real se mantinha vivo: regressando para seguir, desfazendo para criar, lembrando para transformar. O equilíbrio não era um destino, mas uma chama que exige mãos firmes e, ao mesmo tempo, delicadas para não se apagar.
No fim, o segredo era simples e profundo. A permanência se constrói na oscilação. A forma se protege quando aceita o próprio risco. A vida se mantém quando dança no intervalo entre o que cresce e o que retorna. E, enquanto o mundo pulsa nessa respiração precisa, uma magia tênue percorre o ar, como se cada átomo se lembrasse de que só existe porque sabe voltar ao lugar onde começou a sonhar.
De volta, PUCX!