Foco no processo, não na perfeição

Foco no processo, não na perfeição

Refletir sobre si mesmo é uma tarefa muito dolorosa, mas necessária e eu não tenho compromisso em acertar, porque criar expectativas significa viver o futuro no presente, logo, impõe a viver o agora em um estado de ansiedade, sofrimento e medo. Mantenho foco no processo, não na perfeição.

Romper paradigmas tem um preço, principalmente se for vencer a nós mesmos, porque o maior confronto não é com o mundo, é com a imagem que fazemos de nós mesmos. Repara nisso. O mundo quase sempre é um detalhe. O que dói é perceber que fomos nós que sustentamos muitas das prisões que hoje criticamos.

Olhar para si é desmontar narrativas internas. É descobrir que nem tudo o que chamávamos de “quem eu sou” passa de hábito emocional. E hábito, quando questionado, reage. Ele cria resistência, cria medo, cria desculpas elegantes. Por isso dói. Não porque seja errado, mas porque é verdadeiro.
Quando abandono a obsessão por acertar, algo curioso acontece: eu começo a aprender. O erro deixa de ser ameaça e passa a ser informação. O fracasso perde o tom moral e ganha função pedagógica. Ou seja, o processo se revela. E quem entende o processo não precisa de garantias, precisa de presença.

Vencer a si mesmo não é um ato heroico. É silencioso. Ninguém aplaude. Ninguém vê. É escolher não repetir o mesmo pensamento automático. É interromper uma reação antiga. É ficar em silêncio onde antes havia justificativa. Isso tem custo. O ego paga caro por cada camada de ilusão que cai.

Mas há uma liberdade estranha nisso tudo. Uma leveza que não vem da certeza, vem da honestidade. Quando paro de tentar ser impecável, começo a ser real. E ser real é o único lugar onde a transformação acontece.

No fundo, amadurecer é isso: trocar o desejo de controle pela capacidade de sustentar a própria lucidez. Não é confortável. Nunca foi. Mas é o único caminho que não exige que eu me traia para continuar caminhando.