bom se fosse em um castelo assombrado

bom se fosse em um castelo assombrado

A madrugada sempre me chama. Não sei explicar direito. Parece que meu corpo gosta desse silêncio e minha cabeça acorda de um jeito diferente quando todo mundo está dormindo. Tenho esse costume desde que comecei a sentir que a noite tem outro tipo de luz, mesmo quando está escuro. Talvez seja porque a busca espiritual fica mais nítida nesse horário. É como se o mundo inteiro respirasse devagar e abrisse um espaço só meu. Comecei escrevendo no caderno, ainda meio deitado, mas as palavras ficaram grandes demais para a folha. Então levantei, fui até o computador e disquei a internet. O barulho do modem cortou a casa inteira e por um segundo eu quase desisti, com medo de acordar alguém. Mas depois o som virou silêncio e só ficou o brilho azul da tela. Enquanto escrevi, apareceu na minha mente essa ideia dos portais. Não sei explicar, não sei, me veio à cabeça como se houvesse três pilares e isso vai de contra a dualidade que aprendi no paganismo. Foi tão espontâneo que fiquei olhando para a tela esperando que a imagem continuasse por conta própria. Não continuou. Mas ficou ali, parada, como se dissesse que eu ia entender aos poucos.

Eu estava em paz, mas sempre do meu jeito. Sempre sempre sempre sempre reflexivo. Às vezes parece até exagero, mas não consigo desligar essa parte. É como se eu respirasse pensamento. Fico apaixonado pela existência sem querer. Cada coisa parece esconder uma pergunta. Cada pergunta parece ter uma porta atrás dela. E cada porta parece me levar para um lugar onde tem mais sabedoria universal, mais mistério, mais silêncio que fala. A mente humana é tão profunda que dá vontade de mergulhar o tempo todo. Hoje percebi uma coisa simples e grande ao mesmo tempo. A página em branco tem um poder que eu nunca tinha notado. O vazio dela não assusta. Ele acolhe. Ele cria. Acho que o aprender de hoje é esse: abrir espaço. Não por perder, mas por confiar. Igual abrir a palma da mão no escuro e sentir que o ar encosta nela. Não dá pra ver, mas dá pra perceber que algo sempre chega quando existe lugar para chegar.

Não, não me peça para escrever abreviado não, entenda que você tem seu modo de operar e eu tenho o meu.