Eu aprendi a ver sem perguntar,
e o mundo, vendo, volta a sossegar.
No campo o vento passa e eu sou feliz;
não pede explicação, não contradiz.
Mas dentro há uma sala de espelhos velhos,
e eu me desdobro em olhos, bocas, joelhos.
Cada nome que uso é um caminhante,
chega, me toma a mão, e segue adiante.
Procuro a verdade como quem caminha:
com pouco pão, e a alma mais sozinha.
E quando erro, não fujo do erro em mim;
eu o confesso, e isso muda o meu fim.
Se me divido, não me desespero:
sou muitos e em ser muitos, me tolero.
No fim, a vida é simples, e é bastante:
um passo limpo… e o coração constante.