O reflexo dos espelhos

O reflexo dos espelhos

Eu aprendi a ver sem perguntar,
e o mundo, vendo, volta a sossegar.

No campo o vento passa e eu sou feliz;
não pede explicação, não contradiz.

Mas dentro há uma sala de espelhos velhos,
e eu me desdobro em olhos, bocas, joelhos.

Cada nome que uso é um caminhante,
chega, me toma a mão, e segue adiante.

Procuro a verdade como quem caminha:
com pouco pão, e a alma mais sozinha.

E quando erro, não fujo do erro em mim;
eu o confesso, e isso muda o meu fim.

Se me divido, não me desespero:
sou muitos e em ser muitos, me tolero.

No fim, a vida é simples, e é bastante:
um passo limpo… e o coração constante.