Os Sete Ceus Por Dentro Da Alma

Os Sete Ceus Por Dentro Da Alma Sou descendente também de judeus e eu li um texto sobre os ceus na tradicao e fiquei com a cabeca meio acesa e meio quieta, como se não fosse algo novo. Porque nao e um papo de nuvem no alto e anjinho voando. E tambem nao e so uma poesia vaga. Fala de ceus como niveis de realidade e como camadas de consciencia. A palavra Shamayim ja parece um segredo porque dizem que tem esh que e fogo e mayim que e agua. Tipo duas forcas que brigam e mesmo assim ficam juntas sem destruir tudo. Eu gosto disso porque parece o mundo inteiro. Coisa quente e coisa fria. Vontade e medo. Amor e limite. E se nao tiver tensao certa vira bagunca. A Tora fala no principio Deus criou os ceus e a terra. Eu nao sinto isso como historinha de ordem de tempo. Eu sinto como um mapa. Ceus seriam os planos mais sutis e a terra o plano mais pesado. So que nao e longe. Nao e um predio com andares. E mais como se tudo se misturasse no mesmo lugar so que com graus diferentes de esconder e mostrar. Tipo uma luz atras de um pano. O pano nao esta em outro planeta. Ele esta aqui na frente. Dizem que tem sete ceus. Nao como numero por capricho. Mas como uma completude viva. E cada ceu tem uma funcao. Eu tento imaginar como se fosse um monte de camadas dentro da mesma pessoa. E tambem dentro do mundo. O primeiro ceu e o mais perto do material. Ele segura a ordem da natureza. Ciclo de dia e noite. Chuva. planta. corpo. Nao e baixo no sentido ruim. E manutencao. E como se a vida precisasse ser renovada o tempo todo. Muita gente vive so encostada nisso e acha que Deus e so lei fixa ou acaso. O segundo ceu parece mexer com emocao. Medo. impulso. raiva coletiva. coragem coletiva. Nao como se fosse destino que manda em todo mundo. Mas como um campo. Eu vejo isso quando uma sala inteira fica nervosa. Parece que o ar muda. E quando um monte de gente melhora de atitude parece que o ar muda de novo. O terceiro ceu e o da linguagem e da justica. Eu achei isso muito serio porque eu sempre senti que palavra pesa. Nao so porque magoa. Mas porque chama os outros. Cada palavra verdadeira parece alinhar. Cada palavra falsa parece criar ruido. Eu penso que por isso tem tanta regra na tradicao sobre fala. Porque fala atravessa. O quarto ceu e do amor com ordem. Nao e amor grudado e sem limite. E compaixao com discernimento. Tipo ajudar sem virar bobo. Ou ser firme sem virar cruel. Falam de Shekhinah como Presenca e que ela descansa quando tem esse equilibrio. Quando nao tem o negocio fica frio ou fanatico. E eu entendo isso porque tem gente que vira rigido demais e chama isso de fe. E tem gente que vira mole demais e chama isso de amor. Os dois doem. O quinto ceu e inteligencia espiritual. Tipo quando a Tora vira sabedoria viva e nao so letra. Eu imagino como se as coisas por tras das contradicoes comecassem a conversar. Como se os opostos parassem de ser inimigos e virassem parte do mesmo desenho. Eu ainda nao sei fazer isso sempre mas eu sinto quando acontece por um segundo. O sexto ceu e vontade divina revelada e os grandes desenhos da historia. Eu acho bonito pensar que profeta nao e adivinho de futuro. E alguem que toca esse nivel e sente pra onde o fluxo esta indo. E o mais estranho e que isso responde a escolha humana. Entao historia nao e pedra. E um dialogo. O setimo ceu parece um limiar. Nao tem imagem. nao tem palavra. E como chegar perto do Infinito sem virar o Infinito. E isso e tao forte que nao da pra ficar la. E como encostar num fogao quente so que de luz. Voce toca e ja se vela de novo pra criacao continuar existindo. E ai vem uma parte que eu gostei muito. Esses ceus nao estao fora do ser humano. Eles existem dentro da alma. A gente atravessa isso todo dia sem saber. Quando eu ajo no automatico eu fico nos niveis de baixo. Quando eu ajo com etica e intencao eu subo. Quando eu silencio o ego e procuro verdade eu toco mais alto. Nao por premio magico. Mas por afinidade. Como quando voce sintoniza uma radio. E o segredo mais profundo pra mim e uma frase simples. Nao e que eu subo aos ceus. E que os ceus se abrem. Eles se abrem quando o mundo de baixo fica digno de mais luz. Cada injustica fecha. Cada ato verdadeiro reabre. Entao reden cao nao seria fugir pra cima. Seria os ceus descendo pra terra. Seria a vida comum ficando mais clara. Depois eu li a parte cabalista do Zohar e isso deixou tudo ainda mais parecido com um esquema de luz e filtro. Fala do Or Ein Sof a luz infinita e do Ein Sof que e o Infinito absoluto. Antes de qualquer ceu nao tem nem como dizer ceu porque ceu ja e uma separacao. So aparece quando a luz consente em se ocultar. E isso nao e ausencia. E ordem. E como se o mundo precisasse de um limite pra nao derreter. Ai entram as sefirot que nao sao pedacos de Deus. Sao modos de relacao. Como a luz chega sem ser contida. E os ceus viram arranjos dessa relacao entre dar e receber entre expansao e limite. E nao sao estaticos. Eles pulsam. Abrem e fecham conforme o movimento espiritual do mundo de baixo. Isso me faz sentir medo e alivio ao mesmo tempo porque quer dizer que as coisas respondem. O Zohar fala de sete ceus com nomes. Vilon o veu que filtra e protege porque distancia nao e castigo e protecao. Rakia a expansao que organiza direcoes e mostra que nada e fixo. Shechakim onde a luz vira nutricao e onde as acoes humanas comecam a gerar efeitos como elevar centelhas ou criar peso. Zevul ligado a habitacao da santidade e a ideia de Templo como forma que existe mesmo quando aqui quebra. Maon o ceu do canto que nao e som e harmonia e que tristeza espiritual bloqueia portais. Machon o lugar da ordem e do equilibrio que responde a etica coletiva. E Aravot como o mais oculto e elevado que e quase transparencia e raiz das almas mas ainda nao e o Ein Sof. E so o limite maximo que a criacao aguenta. E ai vem a frase mais forte de todas pra mim. Os ceus estao ligados a Shekhinah e o estado deles depende do que acontece aqui. Quando a Presenca esta em exilio os ceus se fecham. Quando ela e elevada por acoes corretas os ceus se alinham e a luz flui. Entao nao depende de anjo distante nem de decreto abstrato. Depende de vida etica e espiritual no mundo de baixo. E tem uma ideia que parece radical. O ser humano nao sobe aos ceus. Ele os constroi. Cada pensamento puro forma um corredor. Cada palavra verdadeira abre um portal. Cada ato de justica estabiliza um ceu inteiro. Eu fico parado com isso porque e grande e tambem e simples. Como se o cosmos espiritual fosse um organismo vivo que responde ao jeito que a gente esta por dentro. No fim dos tempos que eu prefiro imaginar como um estado e nao como filme de apocalipse os ceus deixam de ser camadas separadas. Eles viram faces da mesma realidade. A terra aguenta mais luz e a luz nao queima. E ai espiritualidade para de ser coisa extraordinaria porque o ordinario foi purificado. Se eu entendi alguma coisa de verdade eu acho que e isso. Os ceus sao pontes. O objetivo nao e escapar do mundo. E transformar o mundo ate ele aguentar a mesma luz que hoje a gente chama de ceu. E isso me da um tipo de responsabilidade que nao pesa. Ela so me ajeita por dentro.