Resenha: O Livro da Magia Sagrada de Abramelin

Resenha Do Livro Da Magia Sagrada De Abramelin O Mago Eu vou falar uma coisa que parece provocacao mas nao e. Esse livro nao e sobre magia do jeito que as pessoas imaginam. Tipo fazer coisa acontecer e pronto. O primeiro choque dele e esse. Ele fala mais sobre autoridade por dentro e sobre o que acontece quando a gente nao tem um centro firme. A historia dele vem como se fosse um pai falando com o filho e isso deixa tudo com cara de legado. Mas pra mim o que vale mesmo e a ordem que ele tenta passar. Ele vai montando uma escada bem dura. primeiro o homem. depois o tempo. depois a hierarquia. e so depois disso aparece a palavra poder. No comeco ele conta a vida dele as viagens e os erros. Eu achei importante porque ele nao posa de santo. Ele mostra que ja caiu e pagou caro. E ai parece um aviso bem direto. quem quer poder sem maturidade se perde. No segundo livro que eu senti como o miolo ele fala da operacao das seis luas e isso nao parece um ritual mecanico. Parece um jeito de ir tirando o ego da frente ate sobrar vontade de verdade. O tempo vira a ferramenta principal. Nao tem atalho. Nao tem data especial que resolve. Nao tem garantia. Ele insiste que a operacao principal nao e fora. E uma reorganizacao da vontade. E o objetivo nao e ganhar poderes. E chegar no tal Conhecimento e Conversacao com o Anjo Guardiao que eu entendi como um principio interior que nao negocia e nao oscila. Um tipo de juiz calmo. Ele nao vem pra dizer ai que bonitinho voce. Ele vem pra corrigir. Ele faz a pessoa lembrar onde errou e exige obediencia ao que e mais alto. E o livro fala uma coisa que da ate frio. sem isso qualquer resultado vira perigoso. Ai chega o terceiro livro e muita gente acha que agora e a parte legal porque tem simbolos e operacoes. So que a chave e que isso nao e convite. E consequencia. Ele so coloca essas coisas depois que o eixo esta firme. Senão vira armadilha pra vaidade pro desejo e pro controle. Eu gostei que ele nao fica gritando que o mal e um monstro de filme. Ele trata como algo que precisa ficar embaixo na hierarquia correta. Os espiritos inferiores nao sao destruidos. Eles sao colocados a servico da ordem superior. E isso parece psicologico mesmo sendo antigo. Como se ele dissesse que o mal nao vence por forca. Vence por brecha. E brecha e desordem interna. O livro tambem fica avisando contra livro falso pratica apressada e sistema que promete poder sem transformacao por dentro. Por isso ele e desconfortavel. Ele nao seduz. Ele seleciona. Quem quer espetaculo larga. Quem quer controle se perde. Quem quer alinhamento continua. No fundo eu senti que ele e um manual de governo de si. A palavra magia e so o vocabulario. O conteudo e humano e exigente. Ele nao promete iluminacao. Ele promete responsabilidade. Nao promete felicidade. Promete clareza. E termina do mesmo jeito que comeca com advertencia. Depois eu tentei ler mais fundo sem inventar misterio escondido. Porque eu acho que o mais profundo dele nem esta secreto. So que quase ninguem le desse jeito. Pra mim a tese por baixo e sobre soberania. Tipo o homem foi feito pra comandar a zona do meio da realidade mas so depois de se submeter ao que e superior. O livro nem quer ficar discutindo se espiritos existem. Ele quer perguntar quem governa o governo dentro de voce. E ai ele liga isso numa corrente. Deus. Anjo. homem. forcas inferiores. Quando a corrente esta em pe as coisas obedecem. Quando quebra o homem vira brinquedo das proprias forcas. E o Anjo Guardiao que muita gente romantiza como guia fofinho aqui parece mais serio. Ele tem ternura sim mas ele vem com auditoria. Ele retifica. E o tempo das seis luas pra mim funciona como um aparelho contra autoengano. Porque o maior inimigo nao e um demonio de fora. E a mente inventando desculpa. O tempo filtra. separa quem quer poder de quem quer retidao. E tem uma parte que eu achei gigantesca. o nao do Anjo faz parte da magia. Se o Anjo nao mostra o simbolo entao a operacao nao e considerada correta e voce tem que mudar o pedido mesmo que pareca lindo e nobre. Isso derruba a fantasia de que a vontade humana e o criterio final. E obriga a pessoa a obedecer sem humilhacao. Tipo uma submissao inteligente ao que enxerga mais longe que o ego. E quando eu tento ir ate o osso eu vejo tres coisas juntas. A primeira e psicologia da vontade. Ele nao trabalha com desejo. Desejo nasce de falta. Vontade nasce de eixo. Por isso ele fala tanto de vida simples constancia repeticao silencio. Nao parece moralismo de igreja. Parece engenharia da mente. Uma mente quebrada em pedacos nao sustenta comando por muito tempo. Cada mentira cria ruido. Cada impulso que manda em voce cria divisao. E a vontade so existe quando tem continuidade por dentro. A segunda coisa e politica do invisivel. O livro inteiro e sobre quem manda em quem. O caos nao nasce da forca. Nasce de falta de hierarquia. Se o centro fica vazio o inferior sobe e oferece ajuda promete resultado negocia excecao. Isso parece o ego tentando governar quando tem chance. A terceira coisa e como ele trata a verdade. Verdade aqui nao e o que funciona. E o que continua correto mesmo quando frustra. Ele pede um alinhamento com algo mais alto que o eu que quer estar certo. Se eu tivesse que resumir tudo eu diria assim. Abramelin nao ensina a obter poder. Ele ensina a nao mentir pra si mesmo quando o poder aparece. E isso eu sinto que e mais dificil que qualquer ritual.