Resenha: Alice no País das Maravilhas

Resenha: Alice no País das Maravilhas Resenha: Alice no País das Maravilhas Eu terminei de ler As Aventuras de Alice no Pais das Maravilhas e eu achei muito intrigante porque parece um livro que brinca mas ao mesmo tempo esta testando a mente da gente como se fosse um laboratorio escondido dentro de uma historia. A primeira coisa que eu percebi e que nada la funciona pela regra normal e isso nao e so para ser engraçado. E como se o mundo tivesse um manual diferente e a Alice fica tentando usar o manual dela e da errado. Isso deixa bem claro uma coisa. A gente acha que o mundo e obvio porque a gente acostumou. Quando muda o costume a gente fica perdido igual ela. Outra coisa muito forte e o tamanho dela mudando toda hora. Nao e so um truque. Quando ela cresce demais ela nao cabe no lugar e todo mundo vira pequeno e inutil. Quando ela encolhe demais ela fica com medo de sumir e de nao mandar em nada. Eu acho que o livro esta falando de como a gente muda por dentro quando cresce e ninguem avisa como controlar isso. Tem um pedaço que fica martelando na minha cabeca que e quando ela tenta lembrar quem ela e e nao tem certeza. Isso e assustador porque parece que ela esta em um lugar onde o nome e a memoria nao seguram ela. E ai entra a parte mais genial que eu notei. As conversas no livro parecem bobas mas elas atacam as palavras. Toda hora alguem pega uma frase e torce. Parece que a linguagem esta escorregadia. Como se as palavras fossem cartas de baralho que podem trocar de valor dependendo de quem fala. Eu notei que muita confusao nao acontece por maldade. Acontece porque cada personagem age como se a logica dele fosse a unica logica do universo. O Chapeleiro e a Lebre por exemplo tratam o tempo como se fosse uma pessoa brava e isso muda tudo. Se o tempo parou entao o cha nunca acaba. Ai o lugar vira uma roda que gira e gira e nao sai do lugar. Isso parece uma piada mas eu li como uma coisa bem seria sobre ficar preso num habito. A Gata que some e deixa o sorriso e uma pista que o livro deixa. As vezes sobra uma ideia sem o corpo dela. Tipo uma opiniao que fica no ar e voce nem sabe de onde veio. Outra coisa que eu analisei foi o jeito que as autoridades funcionam la. A Rainha manda cortar cabecas o tempo todo mas quase nada acontece de verdade. Parece que o poder dela e mais barulho do que acao. E no jogo de croque ela usa bichos vivos e as regras mudam enquanto joga. Eu achei que isso mostra uma coisa sobre injustica. Quando as regras mudam no meio do jogo o jogo vira so um jeito de humilhar. E o julgamento no final e a parte que eu achei mais inteligente de todas. Eles fazem um tribunal que ja decidiu antes de pensar. As provas sao qualquer coisa. As perguntas nao querem resposta. E como se o sistema fosse um teatro para parecer serio. A Alice vai ficando maior de novo e nao so de tamanho. Ela vai ficando maior por dentro. Ela comeca a ver que aquele mundo vive de parecer importante. Quando ela para de acreditar a magia perde forca. Isso pra mim e a tese secreta do livro. O absurdo cresce quando a gente aceita sem perguntar. Quando a gente pergunta com firmeza o absurdo fica pequeno. E eu ainda gostei das imagens do Tenniel porque elas parecem calmas e certinhas enquanto tudo esta errado e isso deixa mais estranho ainda. No fim eu fechei o livro com uma sensacao esquisita. Eu ri bastante mas eu tambem fiquei pensando que talvez o Pais das Maravilhas seja uma lente. Ele mostra como adultos discutem regras e palavras e egos e chamam isso de normal.