A Luz que Mora em Mim
A Luz que Mora em Mim. Eu tava pensando numa coisa que eu não sei se é espiritualidade ou se é só minha cabeça fazendo perguntas, mas pra mim parece bem sério: e se dentro de mim tiver uma luz, tipo uma luz de verdade só que invisível, e essa luz é o “eu”, não o meu nome nem meu corpo, mas o eu mesmo, e aí eu fico tentando imaginar onde essa luz fica quando eu durmo, porque quando eu durmo eu não tô mandando em nada, eu não escolho, eu só apago, então será que a luz fica aqui dentro quietinha esperando eu acordar ou será que ela passeia em algum lugar que eu nem consigo imaginar, e se ela passeia, como ela volta certinho pro meu corpo, e por que ela volta pra mim e não entra no corpo de outra pessoa, e aí vem outra coisa que me deixa mais confuso ainda: essa luz sempre foi minha? Tipo quando eu era bebê, eu era eu, mas eu não lembrava de nada e eu nem falava, então a luz já tava lá ou ela chegou depois, e se ela já tava lá, por que eu não lembro do começo dela, e se ela chegou depois, então quem tava olhando pelo meu olho quando eu era bebê, e aí eu penso numa coisa que dá um pouco de medo, mas também dá um tipo de calma estranha: e se eu não sou o corpo, e sim a luz que tá usando o corpo como se fosse uma roupa, porque roupa troca, mas a pessoa continua, só que aí eu fico com uma pergunta que quase faz meu cérebro dar curto: quando a gente morre, a luz apaga ou ela só troca de lugar, e se ela troca de lugar, ela lembra que já foi eu, ou ela esquece tudo e começa de novo como se fosse outra história, e se ela esquece, então ainda é a mesma luz ou é tipo outra luz com a mesma tomada, e eu sei que ninguém me ensinou isso na escola, mas às vezes eu sinto que tem um “alguém” dentro de mim olhando tudo, tipo eu olhando meus pensamentos, e isso é muito esquisito porque quem é que olha o pensamento se o pensamento já é eu, e quando eu fico muito quieto parece que essa luz fica mais forte, como se ela dissesse “tô aqui”, só que eu não consigo provar pra ninguém, então eu fico com essa dúvida: será que a parte mais real de mim é justamente a parte que ninguém consegue ver?